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30/08/2005
Bruxismo
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Bruxismo 

De um modo geral, o termo “bruxismo” é associado a qualquer pessoa que range os dentes. O bruxismo cêntrico ou excêntrico “asseguram uma grande força de contato entre as superfícies oclusais (superfícies de mordida) dos dentes superiores e inferiores. O ranger dental envolve movimento da mandíbula e produz sons indesejáveis que freqüentemente acordam o companheiro. O apertamento dental, por outro lado, envolve o contato dental com força, silencioso, contínuo e desacompanhado dos movimentos mandibulares”.

 

Existem dois tipos de bruxismo, o que ocorre à noite, hoje chamado de bruxismo do sono; e outro durante o dia, referido como bruxismo acordado.

 

Diagnóstico:

 

As pesquisas recentes confirmam que o bruxismo está ligado ao sono, identificam as fases e os padrões em que ele ocorre e ainda as partes do cérebro envolvidas com a motricidade mandibular. Embora seja possível que as pessoas em geral movimentem sua mandíbula durante o sono, as com bruxismo do sono têm algum padrão diferente que faz com que elas ranjam os dentes mais freqüentemente, e isso ainda não foi identificado exatamente. Possivelmente, nos próximo anos, tenhamos boas respostas sobre o bruxismo em si.

 

Para se chegar a um diagnóstico, não basta o relato do paciente. Nem todos que dizem ranger os dentes realmente rangem e nem todos que afirmam não ranger realmente não rangem. Diante dessa constatação, destacam-se alguns parâmetros para se chegar ao diagnóstico clínico, que são:

- Se possível, o relato de ranger de dentes freqüentemente vindo de um companheiro que durma assiduamente com o paciente.

- Constatação de alguns sinais associados a parafunção, como: desgastes uniformes dos dentes; relato do paciente quanto à fadiga muscular facial e dor facial ou de cabeça matutina; ou relato do paciente dizendo que acorda durante a noite com os dentes travados, com a boca apertada freqüentemente.

 

O bruxismo pode adquirir um caráter extremamente destrutivo e é fundamental diagnosticá-lo o quanto antes. Enquanto o bruxismo em si é uma incógnita, suas conseqüências são relativamente claras. Dependendo da intensidade do bruxismo, há o desgaste dos dentes ao longo dos anos. Outras complicações tradicionais são dores de natureza variada, como dor nos próprios dentes, dor facial ou de cabeça – sempre matutina e que passa após algumas horas -, normalmente associada a cansaço ou fadiga do maxilar, dependendo da atividade noturna.

 

Algumas dessas dores faciais são devidas ao cansaço dos músculos, que trabalharam à noite (dor pós-exercício), e bem menos freqüentemente podem ser devidas a eventual inflamação traumática da própria ATM. Alguns pacientes, não se sabe bem as razões, têm bruxismo do sono e não apresentam dor, enquanto outros acabam desenvolvendo dor crônica na face ou nessas regiões da cabeça.

 

Entre outros efeitos relatados, estão as lesões no periodonto e a fratura de prótese em conseqüência do apertamento dental. Além disso, pode haver comprometimento funcional, porque a capacidade de mastigação vai sendo modificada, e também estético.

 

Ainda é destacado também que o bruxismo e os hábitos parafuncionais (roer unhas, apertamentos, morder caneta, etc) são os principais fatores causadores da Disfunção Temporo-Mandibular (DTM), provocando dores principalmente nos músculos da mastigação e, com menor intensidade, na ATM (articulação têmporo-mandibular).

 

É bom frisar que muitos dos problemas que já foram, um dia, apontados como causadores do bruxismo, hoje são vistos como moduladores, ou seja, que aumentam ou diminuem os movimentos de ranger ou de apertar os dentes. Essa modulação ocorre dependendo das condições emocionais e da atividade do dia-a-dia, a exemplo do estresse físico ou emocional.

 

Tratamento:

 

Nos dias de hoje, o cirurgião-dentista só consegue mesmo tratar as conseqüências do bruxismo. O tratamento, principalmente em adultos, é a indicação das placas de acrílico noturnas ou estabilizadores quando há desgaste de dentes e dores faciais e de cabeça. A literatura e a experiência clínica mostram que as placas miorrelaxantes são ainda eficazes em alguns casos do bruxismo do sono, mas elas não reduzem ou acabam com o bruxismo em si. Acredita-se que essa ação da placa influencie as interações sensório-motoras do sistema nervoso central, que tem como conseqüência a redução da dor muscular da face, pelo menos temporariamente.

 

O papel do cirurgião-dentista é, além de tratar as conseqüências do bruxismo, principalmente prevenir que o sistema estomatognático continue sendo lesado. Nossa intervenção evita o desgaste dos dentes, protege a ATM e modula a ação da musculatura. Quanto antes for feito o diagnóstico, mais efetivo é o tratamento. É também fundamental, a freqüente avaliação da placa usada pelo paciente com bruxismo, pois o acrílico se desgasta 20 vezes mais do que dente e, dependendo da intensidade e freqüência do bruxismo, as guias, que foram projetadas para promover desoclusão e equilíbrio ortopédico, são perdidas e a placa assume um forte potencial iatrogênico (prejudicial ao paciente).

 

Apesar de não impedir o apertar ou o ranger dos dentes, a placa serve para proteger o sistema estomatognático. Se tiver que gastar alguma coisa, que seja acrílico, e não dente. A placa distribui os contatos dentais para uma área maior, de forma que cada área receba uma quantidade de pressão menor.

 

Se o paciente apresenta dor associada ao bruxismo e somente a placa não aliviar esse sintoma ou se o problema estiver num estágio muito avançado, será necessário recorrer a outros tratamentos. Nesse ponto, existe divergência de opiniões, mas entre as indicações estão: fisioterapia e exercícios para reabilitação e alongamento da musculatura, medicamentos (analgésicos, relaxantes musculares, antiinflamatórios não-esteróides) e, apesar de pouco comum, eventualmente, infiltrações anestésicas em pontos dolorosos dos músculos.

 

Destaca-se ainda que, atualmente, existe um enfoque no tratamento cognitivo comportamental, isto é, na autoconscientização do paciente. Nesse aspecto, o paciente pode tomar algumas iniciativas para minimizar o bruxismo noturno. Ou seja, hábitos como dormir com barulhos externos, com a luz acesa, com a TV ligada (radiação), comer antes de dormir, consumir substâncias estimulantes como cafeína ou álcool podem modular desfavoravelmente o bruxismo do sono e devem ser evitados. 


Odontologia Personalizada   -   Fonte: Revista da APCD  vol 57 – N. 6 – Nov/Dez - 2003